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Não Me Façam Perguntas Difíceis a Esta Hora

Um blog sobre os gostos literários, televisivos e cinematográficos de alguém que tem muitas aventuras para partilhar com a sua Baby e sem ela...

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17.01.21

Sobre o Livro #44 A Célula Adormecida de Nuno Nepomuceno


Tânia Oliveira

Olá :)

Hoje a review será sobre a reedição do primeiro livro da saga Afonso Catalão: A Célula Adormecida. 

Neste livro, um ataque de um bombista suicida despoleta uma série de eventos na comunidade muçulmana, em Lisboa. Com um evento internacional prestes a ter lugar em Lisboa, está tudo em alvoroço. Afonso Catalão encontrar-se-á envolvido nesta situação e na resolução da mesma, devido aos seus conhecimentos sobre a religião islã. Todavia, não será o único. A repórter Diana também deseja descobrir toda a verdade. Será que conseguirão salvar este evento político que se aproxima? Será que irão trabalhar juntos? Será que o preconceito vencerá ou a verdade virá ao de cima?

Este livro é um thriller religioso, ao que contrário de muitos, que se foca na religião islã, na sua comunidade e nos mais diversos preconceitos que enfrenta num país ocidental. É um livro que possui uma diversidade de personagens de todos os estratos da sociedade, sejam eles muçulmanos ou cristãos ou mesmo não crentes. Na minha opinião, esta é uma das melhores qualidades deste livro: falar sobre as mais variedades situações que os muçulmanos enfrentam, em particular quando alguém do seu credo comete um ato selvagem e têm de lutar contra o preconceito religioso. Nuno Nepomuceno marca diferença, ao abordar situações tão básicas, mas ao mesmo tempo tão importantes, como a ida à mesquita ou o tratamento médico, por exemplo. Contudo, este livro é mais do que isso. Em determinadas situações do livro, o autor tem a (rara) sensibilidade em retratar os sentimentos das personagens femininas, sem as diminuir, sem as tornar fracas e à procura do príncipe encantado. 

O autor não escreve com medo quando fala das injustiças sociais e religiosas, não pretende ser politicamente correto e o leitor agradece, ou pelo menos eu, agradeço por isso. 

Quanto à personagem principal, Afonso Catalão fez um trabalho excelente na sua criação. Creio que poderá ser uma personagem que não agrade a todos, mas pessoalmente, gosto de personagens fortes, com os seus desafios pessoais para resolver, mas que não sejam colocados na história de forma forçada. E acreditem, não foi. Sente-se a dor, a angústia, a frustração. Mas também se sente raiva ou pelo menos incompreensão quanto a uma personagem ou duas. É normal, existir este misto de emoções. (Quem ler o livro, aperceber-se-á a quem me refiro!) Pondo em contexto tudo aquilo a que certas personagens passaram, é mais fácil ceder ao ódio, do que o oposto. E até na abordagem desta hipótese tão comum, infelizmente, o autor fez um trabalho imaculável. 

Não existem personagens 100% boas ou 100% más, existe sempre várias camadas. Todas elas bem visíveis em todas as personagens "boas" e "más". No fundo, é tudo uma questão de contexto, seja na ficção ou na vida real. 

Antes de acabar a review, queria somente deixar uma pequena nota. Muitos de nós leitores, eu incluída, quando comparamos capas feitas no estrangeiro com aquelas publicadas aqui, pensamos: MAS PORQUÊ? Existe tanto talento em Portugal, aproveitem-no. Esta reedição é linda, maravilhosa, fiquei sem palavras quando a vi pela primeira vez. E este trabalho foi feito: Vera Braga, designer. Muitos parabéns :)

Já mergulharam nalguma das obras do Nuno Nepomuceno?

Se sim, digam o que acharam. Vamos trocar ideias :)

Aqui em baixo ou no insta @blog_nmfp

Kisses, 

Tânia Oliveira

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