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Não Me Façam Perguntas Difíceis a Esta Hora

Um blog sobre os gostos literários, televisivos e cinematográficos de alguém que tem muitas aventuras para partilhar com a sua Baby e sem ela...

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15.03.20

Sobre o Livro #31 A Lua de Joana

Leitura conjunta com Bibidibooks


Tânia Oliveira

Olá.

Já nem me recordo de qual dos dois li primeiro: A Lua de Joana ou os Filhos da Droga. Sei que li ambos há mais de 20 anos. Enquanto no primeiro, ainda fui ingénua e não consegui perceber as subtilezas da história contada pela Maria Teresa Maia Gonzalez, talvez por querer pensar de que tudo o que estava a ler era mentira e que realmente, a personagem principal não se tinha metido nas drogas. No segundo, essa ingenuidade ficou à porta, bem escondida, de todo o drama que as drogas fizeram passar Christiane F. 

Este livro, A Lua de Joana, foi um dos primeiros livros que li e de que precisei de fazer um grande luto. A história de uma rapariga, igual a tantas outras, que tinha perdido a sua melhor amiga para as drogas, com uma família que não tinha qualquer tipo de estrutura familiar emocional, a não ser por parte da avó, e com uma revolta tão grande contra o pai e contra o mundo que a fez percorrer o mesmo caminho que a sua amiga fizera. Este livro estava bem enterrado nas minhas primeiras memórias literárias, somente para ser renascido, devido ao livro da Helena Magalhães (Raparigas como Nós). Achei que a temática dos dois tinha uma grande semelhança, no que tocava à temática da droga. E desde então, não sai da minha cabeça. Voltou a surgir numa conversa com a Bibidibooks, em que combinamos ler este livro em conjunto e simplesmente conversar sobre ele. 

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Por isso, vamos lá à opinião sobre ele...

A Lua de Joana, como o próprio título indica, é sobre uma rapariga que se chama Joana e que perdeu a sua melhor amiga para o mundo das drogas. Sente o mundo dela a desmoronar-se à volta dela, por não conseguir encontrar uma resposta à pergunta que tanto anseia ver respondida: PORQUÊ?

Filha de um casal de classe média-alta, vá, cujo pai é um viciado no trabalho e não se quer envolver nos dramas domésticos da família e cuja mãe liga mais às aparências e ao filho mais velho do que propriamente à filha. O irmão para ela, não passa de um simples mimado, enquanto a avó Ju é a única que lhe dá o conforto emocional de que precisa. Na escola, tudo lhe parece estranho e não consegue retomar as amizades, como faria antigamente. Tenta agarrar-se à memória da amiga, a Marta, a todo o custo através do irmão, Diogo, e depois das drogas.

Este livro tem apenas 168 páginas, mas são 168 páginas que refutam todos os clichés relacionados com drogas, nomeadamente aquele que me enerva mais: "uma pessoa para quando quiser" ou o tão aclamado "ela é que não soube parar a tempo". Através das cartas que ela escreve a Marta vemos a sua luta interior. Numa primeira fase a tentativa dela de entender o porquê de ela se ter envolvido naquele mundo conjugado com a luta de ela aceitar que a amiga morreu. Numa segunda fase, o conhecer aquele mundo, as pessoas, os seus comportamentos e o facto de parecerem cheirar tão mal. Numa terceira fase, o ato de experimentar e o de se arrepender, logo de seguida. Na quarta e talvez última fase, o vai-volta de querer manter-se limpa e voltar a drogar-se. Claro que para ela se envolver em isto tudo, existiram "fatores" que a empurraram para esta situação. Mas será que podemos dizer que a culpa é só dos fatores externos ou a culpa não é somente da pessoa e da escolha que fez? Pois é, a culpa é só dela. Ela escolheu aquele caminho. Se ela tivesse outro tipo de ajuda, familiar e na escola, teria sido diferente? Talvez. Mas a escritora escolheu a via difícil, demonstrar como é fácil cair nas teias da droga e o quão é difícil dizermos que não!

Todo o livro é fácil de ler, de digerir, a conversa já seria outra. Há 20 anos era uma rapariga, hoje sou mãe e posso-vos confessar de que o final foi o mais complicado de digerir. Aquela dor que aquele pai sentia, apesar de todos os erros cometidos por ele, só o queria confortar. Mas o único conforto que ele encontrou foi no diário escrito pela filha e as palavras que lhe deixou. Mal ela sabia que ele um dia iria ler essas palavras e mal ele sabia que um dia ele teria tempo para falar com ela. 

Partilhem as vossas memórias que este livro vos deixou.

Kisses,

Mummy

 

 

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