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Não Me Façam Perguntas Difíceis a Esta Hora

Um blog sobre os gostos literários, televisivos e cinematográficos de alguém que tem muitas aventuras para partilhar com a sua Baby e sem ela...

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02.10.19

Ontem, viste o episódio? #13 Era Uma Vez... Em Hollywood


Tânia Oliveira

Boa noite, 

Hoje é o segundo dia do desafio #IBlogEveryDay. 

Hoje o post é sobre o último filme de Quentin Tarantino, Era Uma Vez...Em Hollywood. É verdade, hoje há rúbrica de Ontem, Viste o Episódio?

Sou fã de Quentin Tarantino, contudo confesso que não conheço toda a sua obra. O primeiro encontro cinematográfico que tive com ele foi com os dois filmes - Kill Bill. Antes de nos voltarmos a encontrar em Inglourious Basterds ou como ficou conhecido em terras lusitanas, Sacanas Sem Lei, vi o Pulp Fiction. O nosso último encontro foi em Django. Desde aí que não voltei a ver nada de novo dele, apesar de saber que realizou outros projetos. 

Quando soube que ele ia estrear este filme, quis ir vê-lo no cinema. E fui e estava à espera de muito mais. Para quem conhece a obra de Tarantino, sabe que muitos filmes dele são pautados por cenas de violência, por uma tensão palpável, por um twist imprevisível no momento em que ocorre no filme porque acaba sempre por acontecer. Tarantino não está com meias medidas e é isso que amamos nele. A sede de fazer mais e melhor, sem ligar ao politicamente correto, tocando em assuntos sensíveis ou pura e simplesmente reescrevendo a História dos nossos dias. Esta reescrita cria espaço para pequenas vinganças ou mesmo ajustes de contas de que outra forma o comum mortal não teria forma de pôr em prática. Mas já perceberão porque é que estou a referir-me a estes pontos. 

Neste filme, Tarantino mostra um dos muitos momentos de mudança no cinema, a fase final da época dourada dos westerns. Para isso conta com a ajuda de Leonardo Dicaprio, como ator principal caído quase no esquecimento e com uma ânsia de continuar a possuir o seu espaço no cinema; e com Brad Pitt, que atua como duplo de Dicaprio, personagem de poucas palavras, mas com um olhar que diz muito. Enquanto estas duas personagens tentam encontrar um novo rumo, deparamo-nos com a vida da namorada de Polanski, despreocupada, a desfrutar da gravidez. Enquanto conhecemos a visão de paz e amor dos anos 60, que tem muito pouco desse lema, aos olhos do realizador, como também travamos conhecimento com uma violência mal-disfarçada por adolescentes defensores do "paz e amor", que mais tarde, no filme, estariam relacionados com o mítico grupo macabro de Charles Mason. 

Este filme não é um típico filmes de Hollywood. A impressão que me deixou foi que se tratava de um episódio normal de uma típica de telenovela que, por acaso, naquele dia iria acontecer algo de relevante para a trama. A tensão era quase inexistente e o twist só chegou tarde mais. O filme não possuía uma história principal, mas sim duas secundárias que se cruzaram no final por acaso. E nós sabemos que não existem coincidências nos filmes de Tarantino. As interpretações dos atores estavam razoáveis, a tensão só existiu em algumas cenas, a violência e a vingança só ocorreram no final, onde Tarantino teve a liberdade de mudar o curso da história. Isto não é um típico filme de Tarantino. Isto foi um episódio de uma telenovela da tarde, em que ficamos a saber como era vida em Hollywood, no final dos anos 60, no cinema. 

Se recomendo verem o filme? Sim, recomendo, mas também aconselho não vão com as expectativas altas. 

Se recomendava verem no cinema? Não, não recomendava, a não ser que estejam a nadar em dinheiro e não se importem de gastar dinheiro em algo que não vale a pena. 

Digam-me o que acharam nos comentários do post

ou nos comentários do Instagram (@IG_BNMFP).

Kisses.