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Não Me Façam Perguntas Difíceis a Esta Hora

Um blog sobre os gostos literários, televisivos e cinematográficos de alguém que tem muitas aventuras para partilhar com a sua Baby e sem ela...

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23.10.20

#24 O dia em que perdi o meu herói de infância


Tânia Oliveira

Tenho 32 anos e dos 4 avós que tive, só conheci 3. Não conheci a minha avó paterna, mas a minha mãe conta-me que, embora tenha tido uma vida difícil, era uma mulher que tinha um coração de ouro. O meu avô paterno faleceu quando eu tinha uns 5/6 anos de doença. Tenho poucas memórias dele. De quem tenho mais memórias são dos meus avós maternos que ajudaram os meus pais a criarem-me. 

A minha avó materna faleceu há já alguns anos. Não me recordo há quantos, mas lembro-me exatamente desse dia, de sentir que o mundo estava a acabar e que passado o tempo de luto, teria de seguir em frente. Custou muito e embora já tenha ultrapassado o luto, o dia em que ela faleceu ainda custa a passar. 

Porque é que estou a contar isto tudo?

Porque o meu avô materno morreu e eu sinto-me "sem chão".

Tenho saudades dos meus avós: de ir "dormir" a sesta obrigada, dos filhoses carregados de óleo, mas que eu amava comer, das discussões futebolísticas que tinha com o meu avô sobre o Benfica e Sporting, de ir ao café com ele para comer um ovo de chocolate. Se eles eram perfeitos, não eram! Mas mesmo com as suas imperfeições, ensinaram-me muito! Com o meu avô aprendi que uma mulher também tem direitos e não tem de se sujeitar a tudo. Só porque ele foi educado dessa forma e não conseguiu mudar a sua mentalidade, não significa que tinha de ser cega quanto a isso. Com a minha avó, aprendi a defender e a gostar de mim, a cuidar de mim, mesmo quando as rugas já são mais do que visíveis e I don't give a fuck about that! E o mais importante de tudo, aprendi a não sair de casa, sem perfume!

Eles faleceram, tinham qualidades e defeitos. Não sou como aquelas pessoas que beatifica os mortos porque já não estão cá. Mas sou daquelas que tenta recordar os bons momentos que passamos juntos. Porque apesar de terem tanto qualidades, como defeitos, eram os meus avós. E agora?! 

Tânia Oliveira

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