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Não Me Façam Perguntas Difíceis a Esta Hora

Um blog sobre os gostos literários, televisivos e cinematográficos de alguém que tem muitas aventuras para partilhar com a sua Baby e sem ela...

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17.10.19

Sobre o Livro #12 O Pão de Açúcar de Afonso Reis Cabral


Tânia Oliveira

Hello.

#IBlogEveryday - Dia 9

#booksweek

O segundo livro da #booksweek é sobre o livro escrito por Afonso Reis Cabral, O Pão de Açúcar. Antes de opinar sobre este livro, é necessário conhecer o percurso deste escritor de tão tenra idade, mas possuidor de um talento promissor que de tenro não demonstra ter nada. Afonso Reis Cabral, 29 anos de idade, mas já venceu o Prémio Leya (2014) com o obra Meu Irmão. Três anos depois, venceu o Prémio Europa David Mourão-Ferreira na opção de Promessa e passado um ano desse prémio, voltou a vencer um prémio, o Prémio Novos, no grupo Literatura. Este ano, venceria o Prémio Saramago com a obra Pão de Açúcar. 

Pão de Açúcar é uma obra literária que se baseia num caso verídico. Ainda antes de dar a minha opinião sobre a obra, é importante esta contextualização. Gisberta era uma transexual brasileira que, aquando do crime, se encontrava a viver num edifício abandonado, no Porto, o Pão de Açúcar. Nas imediações, existia um colégio reformatório só de rapazes. Após um breve contato de três rapazes com Gisberta, ela acabaria morta, por afogamento num poço, devido às agressões físicas que sofreu de um grupo de rapazes que estudava neste colégio. Quando o crime ocorreu, só um dos acusados tinha 16 anos, o restante grupo era menor de idade. 

É sobre este crime hediondo que Afonso Reis Cabral escreve. Ele refere, numa nota de autor, que estudou todo o processo criminal, pesquisou bastante sobre o caso, chegou ao ponto de ler uma tese de doutoramento sobre o tipo de instituições em que este grupo de rapazes viviam. Após algumas tentativas de contacto, conseguiu falar com Rafa e foi baseado na voz dele, que ele contou a história, as mágoas, a tristeza, a dualidade de sentimentos perante Gisberta. Este livro não é fácil de ler! É um constante murro no estômago! Apesar do crime que cometeram, o próprio leitor sente-se dividido perante esta situação. O contexto em que estes jovens viviam, sem amor, sem carinho, num bullying constante entre eles mesmos e entre as pessoas que os deviam proteger, o receio de serem colocados de parte por demonstrarem medo ou fraqueza ou de mostrarem carinho e serem rotulados de homossexuais.Pior que a violência que estes rapazes praticaram, foi a falta de oportunidade que não tiveram de seguir outro caminho. Parecia que já estavam condenados a uma vida miserável, não viam que podiam ter outra alternativa. Todos estes sentimentos estão bem patentes no nível de linguagem usado, cru, visceral, cruel e real. 

Mas o escritor foi mais longe, imaginou, de igual forma, a voz de Gisberta, os sonhos que teve, a vida que adorava ter, o inferno que viveu na terra natal com a não-aceitação por parte do pai, de quem fugiu para vir encontrar um refúgio num edifício abandonado,após vida de altos e baixos por terras lusitanas, em particular por terras portuenses. Só desejava carinho, paz, sossego, ser ela própria sem ter de enfrentar todos os preconceitos bacocos de quem não entende o que é enfrentar o preconceito, a ignorância. Infelizmente o que ela encontrou naquele edifício abandonado naqueles jovens foram murros, pontapés, insultos amolecidos por gestos gentis dias antes da sua morte. 

Gisberta foi capa de muitas capas de jornais, de muitas aberturas de jornais da tarde e telejornais, acabou, inevitavelmente, por ser o rosto de quem sofria do preconceito da transfobia. 

Este post não poderia acabar de outra forma que não com a frase publicitária da obra do autor nesta obra:

"Quando a vida é mais cruel do que a ficção."

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Quem é que já leu esta obra? 

Digam-me o que acham nos comentários do post

ou na publicação do post no instagram ( IG_BNMFP)

Kisses,

Mummy